Aprendizagem comunitária

O Quilombo Ciência é uma ferramenta para a aprendizagem de ciência, tecnologia e filosofia através de projetos comunitários em pequenos grupos.

Sobre o projeto

A ideia do Quilombo Ciência surgiu em 2017, e o projeto ganhou esse nome em 2018. Desde então, temos tentado criar uma ferramenta que facilite a organização de cursos, grupos de estudos, iniciativas culturais, projetos de geração coletiva de renda, projetos de ciência cidadã e outros a partir de comunidades locais.

Nossos objetivos estratégicos

Letramento científico

Promover a ampliação do acesso livre, ativo e consciente às tecnologias e metodologias de todas as ciências, e aos conhecimentos de todos os povos.

Melhoria das condições de vida

Melhorar coletivamente as nossas vidas e das nossas comunidades.

Conhecimento afrodiaspórico

Aprender, discutir, construir e difundir conhecimento produzido por pessoas africanas e a sua descendência espalhada pelo mundo.

Por quê?

Essas são as principais razões que motivaram a criação do Quilombo Ciência.

“Vivemos em uma sociedade extremamente dependente da ciência e da tecnologia, na qual quase ninguém sabe alguma coisa sobre ciência e tecnologia.”
Carl Sagan

Conhecimento e Ciência

Para a maioria das pessoas hoje, o sistema educacional parece insuficiente ou inadequado para ajudar a lidar com os desafios de um mundo em constante e rápida transformação e crescente complexidade. O uso privado de novas e rápidas descobertas científicas causa grandes impactos no mundo antes mesmo que elas possam ser minimamente compreendidas e discutidas. Para lidar com os problemas complexos que enfrentamos hoje, a ciência precisa ser feita e entendida por muito mais pessoas: É preciso popularizar as informações sobre o que as pessoas que trabalham na pesquisa científica estão entendendo, descobrindo, criando, pesquisando e discutindo. É preciso envolver mais pessoas no processo de desenvolver e pensar a ciência. É preciso promover e ampliar o debate sobre os impactos da ciência em diversos aspectos, como a política, a economia, as sociedades e o meio-ambiente. É necessário também aproximar as universidades e demais espaços de construção do conhecimento formal dos demais segmentos e espaços da sociedade, reconhecer, suscitar e estimular novas vocações nas mais diferentes comunidades e territórios a partir das necessidades e interesses das pessoas que os constroem e vivem neles. Das comunidades mais esquecidas pode surgir abordagens e soluções para os nossos problemas locais e globais mais complexos.

Tecnologia

Hoje, as tecnologias que poderiam e deveriam servir para diminuir o esforço, criar e distribuir riqueza, erradicar doenças, conectar pessoas e comunidades, servem principalmente para potencializar a concentração da riqueza, sofisticar e aprofundar a exploração e a desigualdade.
As tecnologias disponíveis hoje propiciam à humanidade um potencial quase ilimitado de criação, mas também de destruição. Todo esse poder está concentrado nas mãos de poucas pessoas, mas as consequencias afetam a todas e todos nós.
É preciso democratizar o acesso pleno e ativo à tecnologia. As tecnologias são resultado do trabalho e conhecimento de toda a humanidade, e precisam servir para o benefício das pessoas e de toda a vida na Terra.

Colaboração

Estamos virtualmente mais conectados uns aos outros, a comunicação avançada diminuiu os limites das distâncias físicas no mundo e fica cada vez mais claro que as ações em cada lugar do mundo afetam o mundo todo. Ao mesmo tempo não poderíamos estar mais distantes. Colaboramos inconscientemente, sem perceber que todo conhecimento, informações e riqueza que criamos, criamos juntos.
Hoje, a comunicação e a informação podem potencializar a colaboração: Podemos criar juntos, coisas que só poderíamos sonhar sozinhos.
Mas será preciso aprender o amor por aprender
Neste cenário de desigualdade, a colaboração entre os de baixo é a única possibilidade de subverter as regras da sociedade, garantir o mínimo necessário para todas e todos e organizar a luta pela vida com conhecimento livre, ação consciente na realidade e riqueza distribuída com a qual sonhamos.

Como funciona?

Estamos criando uma rede, para facilitar, conectar e organizar projetos de aprendizagem, criação e pesquisa em pequenos grupos: Aprendendo, pensando, criando e construindo juntes.

As pessoas que fazem parte da rede do Quilombo Ciência podem se organizar em uma mesma Comunidade: Um grupo sem limite de número de pessoas conectadas diretamente por um mesmo local ou território físico. Podem se organizar em um Círculo: Um grupo de até seis pessoas da Rede conectadas entre si por um projeto comum, e até 6 círculos podem se conectar para formar um Coletivo ou começar uma Jornada. Pessoas na Rede podem criar conexões com qualquer outra baseadas em interesses e curiosidades comuns. Essa Rede precisa permitir que as escolhas e ações no Quilombo Ciência sejam feitas de maneira participativa.
O Quilombo Ciência é financiado somente através das contribuições voluntárias das pessoas participantes.

Três frentes de ação pela coletivização de conhecimento.

Na essência deste projeto está a ideia de que o conhecimento só é construído coletivamente, de que ele é construído através de muitas formas e métodos diferentes, e de que ele pertence a todas as pessoas. A ciência, como uma das formas de conhecimento humano, é uma ferramenta poderosa. Para ser potencializada e ao mesmo tempo mais segura ela precisa ser feita, entendida e controlada por muito mais pessoas. Para abordar esse problema, atuamos em três frentes: O Letramento científico, a divulgação científica e a participação ativa e coletiva na produção científica. Nós pretendemos ajudar a democratizar o acesso e a construção de conhecimento, através de metodologias ativas de aprendizagem em pequenos grupos para alfabetização científica, da criação de espaços de discussão sobre o uso consciente da ciência e da tecnologia, e da criação de projetos colaborativos práticos para a solução de problemas concretos das pessoas e das comunidades da rede.

Letramento científico

Nossas ações voltadas ao letramento científico começam com a criação de uma trilha de aprendizagem chamada CIÊNCIA COLABORATIVA, com sugestões de textos e vídeos e uma proposta de roteiro de atividades para a aprendizagem em pequenos grupos.

Ao criar essa trilha, pensamos em provocar a curiosidade e ao mesmo tempo convidar as pessoas a experimentar a observação e a análise da realidade com uma atitude analítica. Queremos talvez estimular um pouco aquele sentimento de maravilhamento que temos quando crianças ao começarmos a tentar entender o mundo e que por uma série de razões acabamos perdendo à medida que crescemos. Em algum momento, começamos a acreditar que já aprendemos o suficiente. Nessa trilha, somos chamados a conhecer mais sobre a história e os fundamentos do pensamento científico, sobre as principais referências na história e filosofia da ciência a partir de uma perspectiva não eurocêntrica, observando as contribuição das diferentes matries do pensamento universal para a construção do arcabouço científico do qual a humanidade dispõe hoje. Teremos contato com conceitos, processos, métodos e metodologias da prática científica, poderemos conhecer iniciativas de Ciência Cidadã e aprenderemos como propor ou participar na prática de um projeto científico.

A abordagem adotada na criação dessa trilha é transdisciplinar e ao criá-la também nos preocupamos em dar uma idéia de como os métodos científicos criados para entender a natureza e as sociedades podem ser uma ferramenta importante para resolver alguns dos problemas concretos mais importantes que nós enfrentamos no dia-a-dia e nas nossas vidas.

Esta é apenas uma trilha de aprendizagem, queremos viabilizar e estimular a formação de círculos de curadoria de conteúdo e tradução contando com a ajuda de especialistas em diferentes áreas e também círculos de aprendizagem de idiomas, por que entendemos que o conhecimento está sendo construído em todos os idiomas do mundo. Tudo isso é parte de um esforço para, entre outras coisas, viabilizar a criação colaborativa de novas trilhas sobre esse e outros temas.

Escola de projetos

A interação dentro da Rede do Quilombo Ciência se dá por Projetos, organizados em Jornadas e Trilhas. Qualquer participante do Quilombo Ciência pode propor, coordenar ou mediar uma nova trilha. O Quilombo Ciência organiza uma Escola de projetos, que é uma plataforma online baseada no sistema Moodle para organizar trilhas. As trilhas são sequências de conteúdos e atividades que podem resultar na aquisição de um novo conhecimento ou habilidade, na sua demonstração através das avaliações e objetivos propostos e no reconhecimento do aproveitamento através de certificados. É o caso das trilhas de aprendizagem. Mas também podem resultar na publicação dos resultados de uma investigação científica, como um levantamento de dados em uma trilha de pesquisa, ou em um novo negócio colaborativo, iniciativa cultural ou artística, evento ou muito mais, desenvolvidos e organizados a partir de uma trilha de criação.

Trilhas de Pesquisa, podem ser de vários tipos como um grupo de astronomia amadora, ou o levantamento e processamento de dados importantes para um território. Aprendizagem, como um grupo para aprender um idioma, um assunto, ou estudar para um concurso, vestibular ou certificação, ou então Criação, como um grupo pra construir uma horta ou Laboratório local, criar uma cooperativa ou um novo aplicativo. Aprender novas habilidades e conhecimentos pode ajudar pessoas e comunidades a encontrar soluções coletivas para problemas imediatos, como gerar renda ou aumentar a empregabilidade. As jornadas podem ser feitas de trilhas de diferentes tipos, são formadas por grupos de pessoas que percorrem as mesmas trilhas.

Divulgação científica

Em relação à divulgação científica, queremos fazer parte de um movimento importante que parece estar acontecendo neste momento. O número de cientistas, pessoas leigas, organizações e instituições que dedicam esforços concretos para explicar e comunicar a ciência tem se multiplicado. Mas ainda é pouco. Verdadeiras campanhas de desinformação somadas às graves deficiências do sistema educacional têm promovido o avanço de iniciativas anti-ciência nos últimos anos, em vários segmentos da sociedade e em vários lugares do mundo.

Esses problemas não têm uma solução simples e fácil, mas nós queremos contribuir para trazer muito mais pessoas para a discussão de soluções e levar essa discussão a muito mais lugares.

Queremos produzir conteúdo digital como parte do processo de construção do Quilombo Ciência, compartilhando o que estamos pesquisando e aprendendo e como estamos resolvendo os problemas que encontramos. Queremos também estimular a criação de trilhas em nossa rede que envolvam a criação de sites, páginas, canais de streaming de vídeo, podcasts e outras mídias para divulgar as discussões, descobertas e desafios da ciência.

Além disso, vamos tentar construir parcerias com outros projetos de divulgação científica, programas de extensão universitária e organizações de promoção da ciência.

Queremos promover e estimular também projetos e parcerias para realizar atividades de divulgação científica nas comunidades: em ruas, praças, escolas e outros espaços.

Produzindo ciência

A maioria das pessoas provavelmente concorda em algum nível que é necessário entender melhor como a ciência funciona. Mas fazer ciência?

Ciência participativa, ciência aberta ou ciência cidadã são iniciativas através das quais não-cientistas podem participar dos processos de produção científica, em atividades como observar fenômenos, levantar problemas, coletar ou analisar dados.

Nós queremos promover ações e projetos de Ciência Participativa, queremos divulgar essas iniciativas e facilitar a participação em projetos de pesquisa acadêmica que demandem ou possam se beneficiar da colaboração de muitas pessoas.

Acesso à tecnologia, uso consciente e tecnologias compartilhadas.

O que nós chamamos de tecnologias é o conjunto das técnicas, ferramentas, habilidades e conhecimentos que a natureza desenvolveu ao longo de milhões de anos, que nossos antepassados ao longo do tempo para diminuir a quantidade de trabalho necessário para nos comunicar e transformar os recursos que descobrimos nas coisas que consideramos necessárias.

Essas tecnologias permitiram estender a expectativa média de vida dos seres humanos em até 30 anos nos últimos dois séculos, permitiram que a Terra alimente muito mais pessoas, e nos permitem fazer coisas hoje que os nossos antepassados só puderam imaginar.

Mas para nos desenvolver como uma gigantesca civilização feita de milhares de povos, nós humanos avançamos inescrupulosamente sobre recursos raros e finitos. Nós desequilibramos o ecossistema frágil do nosso planeta. Não fomos capazes de nos desenvolver de maneira justa e equilibrada, e muitos de nós, humanos, em uma Terra que é capaz de nos alimentar, vestir, abrigar e maravilhar, até aqui, nos comportamos como crianças irresponsáveis.

O conhecimento da humanidade nunca esteve tão disponível, e as pessoas podem utilizá-lo pra aprender juntas sobre idiomas, matemática, biologia, física, economia, filosofia, tecnologia, curiosidades e suas necessidades lhes exijam. No Quilombo Ciência queremos que as pessoas possam reacender sua curiosidade, exercitar sua criatividade e aprender a aprender. Mas mais do que isso, acreditamos que a introdução ao método científico é uma ferramenta poderosa para ajudar as pessoas a entender problemas individuais e coletivos e potencializar o desenvolvimento de soluções inteligentes e criativas para os problemas mais difíceis que a ciência enfrenta hoje.